Backrooms: Um Não-Lugar
Estreia da Semana

Backrooms: Um Não-Lugar

Chiwetel Ejiofor · Renate Reinsve · 2026

7.7/ 10
CinemaTerrorFicção Científica

Tudo começou em 2019, com um post anônimo no 4chan: uma fotografia de um ambiente perturbador — iluminação fluorescente amarelada, carpete sujo e desgastado, paredes revestidas de papel de parede beige num padrão que parecia se repetir para sempre. A legenda dizia que, se alguém não tomasse cuidado ao atravessar a realidade nos lugares errados, acabaria nos Backrooms — um labirinto infinito fora do mundo conhecido. A ideia rapidamente virou lenda urbana da internet, creepypasta, e depois virou o universo audiovisual mais assustador da última década no YouTube. Em 2022, Kane Parsons — então com apenas 16 anos — dirigiu e lançou no YouTube o curta The Backrooms (Found Footage), um vídeo no estilo de filmagens encontradas que mostra um jovem entrando acidentalmente nesse espaço impossível enquanto filma com uma câmera VHS. O vídeo viralizou globalmente por seu clima claustrofóbico, seus efeitos práticos criativos e por uma atmosfera de desorientação total que não precisava de monstros para ser aterrorizante. No longa-metragem produzido pela A24, a história se passa em 1990 e acompanha Clark, um vendedor de móveis que descobre no porão de sua loja um portal para os Backrooms — um labirinto de escritórios surreais e infinitos que parece existir numa camada paralela e irracional da realidade. Fascinado e incapaz de resistir, ele convence sua funcionária Kat e o namorado dela a mapearem as anomalias daquele lugar impossível. Quando Clark desaparece, a Dra. Mary Kline, sua terapeuta, parte para resgatá-lo — e acaba sendo forçada a mergulhar na dimensão e confrontar seus próprios traumas enquanto tenta encontrar uma saída. A produção se destaca pela recusa deliberada em explicar o que está acontecendo — o filme abraça a incompreensibilidade da experiência em vez de oferecer respostas. Para isso, a A24 construiu um set prático de 30.000 pés quadrados reproduzindo a geometria impossível dos Backrooms, o que permite a Kane Parsons criar uma sensação de desorientação genuína sem depender de efeitos digitais excessivos. A fotografia é dominada por luz fluorescente, papel de parede amarelado e corredores que parecem se dobrar sobre si mesmos, enquanto o design de som — desenvolvido em parte pelo próprio Parsons — amplifica o isolamento com precisão cirúrgica. O resultado é um marco raro no terror contemporâneo: uma obra nascida na cultura da internet que conseguiu fazer o caminho inverso com total integridade criativa, levando o horror liminal para o grande cinema sem domesticá-lo ou torná-lo palatável demais. Com 88% no Rotten Tomatoes e a classificação Certified Fresh logo nos primeiros dias de exibição, o filme consolida Parsons como uma das vozes mais originais do gênero — e confirma a A24 como a casa ideal para esse tipo de aposta.

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