Risa e o Telefone do Vento (2025): quando a fantasia encontra o poder do luto
Entre os lançamentos mais sensíveis do cinema argentino nos últimos anos, Risa e o Telefone do Vento se destaca por abordar temas como perda, saudade e esperança através de uma narrativa delicada e repleta de elementos fantásticos. Dirigido por Juan Cabral, o longa transforma uma história profundamente humana em uma emocionante jornada sobre aprender a seguir em frente.
Com belas paisagens da Patagônia, atuações marcantes e uma fotografia contemplativa, o filme conquistou reconhecimento em festivais e chegou ao catálogo da Netflix, ampliando seu alcance para o público internacional.
Ficha técnica
- Título original: Risa y la cabina del viento
- Ano: 2025
- Direção: Juan Cabral
- Roteiro: Juan Cabral e Pablo Minces
- Elenco principal: Elena Romero, Diego Peretti, Joaquín Furriel, Cazzu, Graciela Borges e Gustavo Garzón
- Gênero: Drama, Fantasia
- Duração: 97 minutos
- País: Argentina
- Idioma original: Espanhol
- Classificação indicativa: 12 anos
Sinopse
Após perder o pai em um trágico acidente, a jovem Risa, de apenas dez anos, vive mergulhada na tristeza enquanto tenta compreender o vazio deixado pela ausência dele. Sua rotina muda completamente quando ela encontra uma misteriosa cabine telefônica conhecida como "Telefone do Vento".
Embora o aparelho esteja aparentemente quebrado, ele possui uma característica extraordinária: permite que pessoas conversem com aqueles que já partiram. Fascinada pela descoberta, Risa passa a utilizar a cabine na esperança de ouvir novamente a voz do pai.
Ao longo dessa jornada, ela acaba encontrando outros espíritos que também possuem assuntos inacabados. Convencida de que ajudá-los pode aproximá-la do tão esperado reencontro com seu pai, a menina embarca em uma emocionante missão que mistura fantasia, amadurecimento e reflexões sobre o processo de aceitar a perda.
Sem recorrer a grandes efeitos visuais, o filme utiliza o elemento sobrenatural como metáfora para o luto, construindo uma narrativa sensível que emociona sem recorrer ao melodrama.
Análise crítica
Juan Cabral conduz a história com enorme sensibilidade, evitando exageros emocionais e apostando em um ritmo contemplativo que valoriza os sentimentos dos personagens. Em vez de transformar o aspecto fantástico em espetáculo, o diretor utiliza a cabine telefônica como símbolo da dificuldade de dizer adeus.
Elena Romero entrega uma atuação extremamente natural no papel de Risa. Mesmo sendo uma atriz muito jovem, transmite vulnerabilidade e autenticidade, sustentando boa parte da carga dramática da obra.
Diego Peretti e Joaquín Furriel oferecem interpretações sólidas, enquanto a cantora argentina Cazzu faz uma estreia convincente no cinema, trazendo delicadeza à personagem Sara.
A fotografia de Leandro Filloy merece destaque pelas paisagens geladas da região de Ushuaia, que reforçam visualmente o isolamento emocional vivido pela protagonista. Os enquadramentos valorizam o silêncio e a contemplação, criando uma atmosfera quase poética.
A trilha sonora, que conta com músicas originais da banda Babasónicos, complementa perfeitamente o tom melancólico da narrativa, sem nunca sobrepor as emoções das cenas.
O roteiro também demonstra equilíbrio ao abordar temas delicados como morte e saudade de forma acessível para diferentes idades, tornando o filme uma experiência emocionante tanto para adultos quanto para adolescentes.
Risa e o Telefone do Vento é um daqueles filmes que utilizam a fantasia apenas como ponto de partida para contar uma história profundamente humana sobre amor, perda e a importância de seguir em frente.
Nota
Nota final: 7,4/10
Fontes utilizadas para a média:
- IMDb
- Rotten Tomatoes (não possuía índice consolidado de audiência até o momento da publicação)
- MyAnimeList: não se aplica (obra live-action)
Onde assistir
No Brasil, Risa e o Telefone do Vento está disponível para assinantes da Netflix, incluindo o plano com anúncios. O longa estreou no catálogo brasileiro em junho de 2026 e pode ser assistido com dublagem em português ou áudio original em espanhol com legendas.
Vale a pena assistir?
Se você aprecia filmes como A Monster Calls, Ponte para Terabítia ou produções que utilizam elementos fantásticos para discutir emoções reais, Risa e o Telefone do Vento certamente merece espaço na sua lista.
O longa evita fórmulas fáceis e entrega uma experiência delicada, emocionante e visualmente bela, lembrando que algumas das conversas mais importantes da vida nem sempre acontecem quando esperamos.
É um filme sobre despedidas, mas também sobre a força das lembranças, da esperança e da capacidade humana de encontrar novos caminhos mesmo após as maiores perdas.>






