Sou a Frankelda: tudo sobre o filme da Netflix
Sou a Frankelda (título original Soy Frankelda) é uma das produções mais ambiciosas da animação latino-americana dos últimos anos. Produzido pelo estúdio Cinema Fantasma, o longa marca um feito histórico ao se tornar o primeiro filme em stop-motion produzido integralmente no México. A obra amplia o universo apresentado anteriormente na minissérie Os Sustos de Frankelda, mas funciona perfeitamente como uma história independente para novos espectadores.
Com uma estética sombria inspirada na literatura gótica, contos de fadas e no horror fantástico, o filme entrega uma experiência visual impressionante, misturando fantasia, drama e aventura em uma narrativa sobre criatividade, liberdade artística e o poder das histórias.
Ficha técnica
- Título original: Soy Frankelda
- Ano: 2025 (lançamento mundial na Netflix em 2026)
- Direção: Arturo Ambriz e Roy Ambriz
- Elenco principal (vozes): Mireya Mendoza, Arturo Mercado Jr., Luis Leonardo Suárez, Magda Giner e Karla Falcón
- Gênero: Fantasia, Animação, Drama, Aventura
- Duração: 1h44min
- País: México
- Idioma original: Espanhol
Sinopse
A história acompanha Frankelda, uma jovem escritora que vive no México do século XIX. Extremamente talentosa, ela dedica sua vida à criação de histórias sombrias, mas enfrenta constantes barreiras impostas por uma sociedade que desacredita sua capacidade simplesmente por ser mulher.
Quando sua imaginação ganha vida de forma inesperada, Frankelda é transportada para um universo construído pelas próprias criaturas que criou. Nesse mundo fantástico, ela conhece Herneval, um príncipe preso entre sonhos e pesadelos, que busca impedir que a fronteira entre realidade e ficção seja destruída.
Enquanto enfrenta monstros, enigmas e forças que desejam controlar sua criatividade, Frankelda também precisa descobrir quem realmente é como escritora e como pessoa. O filme desenvolve temas como identidade, censura, liberdade de expressão e o valor da imaginação, sem recorrer a soluções fáceis ou previsíveis.
Análise crítica
Visualmente, Sou a Frankelda é um espetáculo. O trabalho artesanal do stop-motion impressiona pela riqueza de detalhes dos cenários, iluminação, figurinos e expressões dos personagens. Cada quadro transmite o cuidado típico das grandes produções do gênero, lembrando obras de estúdios como Laika e Aardman, mas com uma identidade cultural própria.
A direção de Arturo e Roy Ambriz demonstra enorme domínio da linguagem visual. O filme alterna momentos contemplativos com sequências de fantasia intensa, sempre utilizando a animação para reforçar emoções e conflitos internos da protagonista.
O roteiro aposta em uma narrativa repleta de simbolismos. Embora alguns trechos possam parecer mais complexos para crianças pequenas, a história oferece diversas camadas para o público adolescente e adulto, explorando o processo criativo, a opressão social e a força das narrativas como instrumento de transformação.
As atuações vocais cumprem muito bem seu papel, especialmente Mireya Mendoza, que transmite sensibilidade, coragem e vulnerabilidade à protagonista. Arturo Mercado Jr. também entrega uma interpretação marcante como Herneval, equilibrando drama e fantasia.
A fotografia é um dos maiores destaques técnicos. A iluminação cuidadosamente planejada cria uma atmosfera que mistura horror gótico, fantasia clássica e contos sombrios, enquanto a direção de arte transforma cada cenário em uma verdadeira obra artesanal.
A trilha sonora acompanha perfeitamente a jornada emocional da protagonista, alternando momentos delicados e épicos sem sobrepor a narrativa.
Como ponto menos forte, alguns espectadores podem considerar que o ritmo desacelera no segundo ato devido ao foco maior na construção do universo fantástico. Ainda assim, o resultado final recompensa pela beleza visual e pela profundidade temática.
Sou a Frankelda prova que a animação latino-americana pode competir em qualidade artística com grandes produções internacionais, entregando uma experiência visual memorável e emocionalmente envolvente.
Nota
Nota final: 8,0/10
Fontes utilizadas para composição da nota:
- IMDb
- Rotten Tomatoes (Audiência)
- Avaliações críticas especializadas disponíveis até o lançamento mundial
Onde assistir
Sou a Frankelda está disponível exclusivamente na Netflix no Brasil.
Vale a pena assistir?
Sem dúvida. Seja pelo marco histórico de representar o primeiro longa mexicano produzido inteiramente em stop-motion, seja pela qualidade artística da animação, Sou a Frankelda é uma excelente escolha para quem aprecia fantasia, terror leve, histórias sobre criatividade e animações autorais.
O longa oferece uma experiência diferente das animações tradicionais, privilegiando uma narrativa mais madura, visualmente deslumbrante e repleta de personalidade. Para fãs de obras como Coraline, Kubo e as Cordas Mágicas e O Estranho Mundo de Jack, esta é uma produção que merece entrar na lista de prioridades.






